Falando Sobre Filme: Carrie, A Estranha (2002)

Quem não conhece Stephen King? Sério, pelo menos de nome? Só se for alguém que ignora a literatura e o cinema. Obras como O Iluminado, Conta Comigo e A Torre Negra marcaram geração e fascinam leitores e espectadores do mundo todo. Caso alguém ainda tenha alguma dúvida do talento do cara, fica uma dica: o filme Carrie, A Estranha está aí para quem quiser assistir e conferir.

Hoje no Falando Sobre Filme, escolhi justamente a Carrie, um filme que vi quando ainda era muito novo, talvez tenha sido no ano de 2003 ou 2004 no SBT. a ''nova'' adaptação de Carrie a Estranha, baseada no livro homônimo do Stephen King. Naquela noite o SBT o exibia pela primeira vez, pude conferir a história até então desconhecida (para mim) com meu irmão e minha mãe no sofá. Que nostalgia. Ainda lembro do medo que o filme me causou (eu era criança, ok?). Então vamos lá!

Carrie, a Estranha

Com a nova onda de refilmagens de Hollywood, foi decretado que nenhum clássico ficaria de fora. Logo no ano de 2002, Carrie ganhou uma refilmagem feita especialmente para TV, que tanto foi depreciada pelos fãs do original, mas bem recebida pela nova geração. Não há nada de errado em recontar a mesma história para o novo público, certo? Mas todo cuidado é pouco quando se trata de um clássico inesquecível como Carrie havia se tornado.

Antes da versão de 2002, existiu a primeira adaptação do livro, em 1976, estrelado pela talentosa Sissy Spacek sob a pele de Carrie.

Sissy Spacek como Carrie, em 1976

A história dos dois filmes seguem quase exatamente a mesma premissa. Carrie, oprimida pela mãe religiosa e perseguida pelos colegas de classe, descobre que tem o poder de mover objetos com a força do pensamento logo após sua primeira menstruação. E chamando a atenção das pessoas erradas, acaba sendo atraída para uma armadilha no dia do baile de formatura; uma armadilha que mudaria a sua vida e de seus colegas para sempre.

Carrie e sua mãe (a versão de 2002)


Exibida em forma de minissérie, a Carrie de 2002 foi mais detalhista. Ela apresenta duas narrativas distintas: mostra o patinho feio tentando encontrar um lugar na sociedade, enquanto há depoimentos dos sobreviventes da tragédia do baile de formatura. 

Mas, vamos lá compreender toda essa história.

Angela Bettis vivendo Carrie (2002)

Carrie White (interpretada por Angela Bettis) é uma garota estranha vitima de bullying por todos os colegas do colegio e ainda possui uma mãe fanatica religiosa Margaret White (interpretada por Patricia Clarkson) que a oprime, ja que considera tudo pecado e por isso protege a filha bastante. A vida de Carrie é complicada, até que ela decide investigar a causa de estranhos acontecimentos que ocorreram desde a sua infância de objetos se movendo sozinhos, quando na verdade ela possui um dom chamado Telecinese, que é a capacidade de mover/manipular objetos com a mente e isso faz com que ela entenda que foi a responsável por esses acontecimentos ocorridos quando era criança.

Após menstruar no banheiro do colégio, volta a ser humilhada pelas colegas não só por ser a primeira a passar por isso, como também não faz ideia do que é ''menstruação'' e pensa estar morrendo, mas a professora de ginastica Rita Desjardin (interpretada por Rena Sofer) disposta a dar um basta em todas as humilhações infligidas a Carrie, coloca todas as envolvidas em detenção, e a líder do grupo Chris Hargensen (interpretada por Emilie de Ravin) se recusa a sofrer o castigo pelo que fez a Carrie junto com as outras e acaba por ser suspensa e barrada do baile, mas promete vingança. No entanto Sue Snell (interpretada por Kandyse McClure) arrependida do que fez, tenta convencer seu namorado Tommy Ross (interpretado por Tobias Mehler) levar Carrie ao baile, como um pedido de desculpas, mas Chris juntamente com seu namorado Billy Nolan (interpretada por Jesse Cadotte) e mais dois amigos, formula uma brincadeira (de mau gosto como de costume) para humilhar Carrie novamente e escolhe justamente a noite do baile para executar essa pegadinha de mau gosto, porém essa pegadinha como diz o ditado ''foi a gota que fez o copo transbordar'' e o que virá a seguir será o que ninguém na cidade de Chamberlain imaginava que acontecesse.

O filme ainda conta com David Keith e Katharine Isabelle no elenco.

Tommy e Carrie no Baile (Carrie, 2002)

Correndo o risco de ser apedrejado pelos fãs do filme original, preciso fazer uma confissão. Esta refilmagem para TV, mesmo com os erros gritantes, conseguiu me agradar mais que a primeira adaptação. Não por haver algo de errado com o filme de Brian de Palma, muito pelo contrário. Carrie já havia atingido a perfeição em 1976, e continuará assim mesmo que se passem cem anos. Minha empatia para com a refilmagem é muito mais pessoal, é a nostalgia como citada mais acima. Foi a primeira versão que vi do livro, então é isso.

Então, sobre minha preferência, não há mais nada a declarar. Mas sobre a produção, do ponto de vista técnico, não há nada de tão extraordinário. Um filme feito diretamente pra TV não tem o poder de superar nossas expectativas, muito menos se tornar uma superprodução. O único motivo para ideia ter dado certo, mesmo que ainda haja controvérsia, já é um mérito do próprio filme original. O roteiro não envelhece, não precisa mudar de acordo com a época para dar certo. Sempre vai haver fanatismo religioso, bullying escolar, o baile de formatura que toda garota sonha, e claro, a vida perfeita, que é ditada desde cedo por cada cultura.

Para não ser injusto com a minha versão preferida – até então – de Carrie White, também tivemos vários aspectos inovadores que ajudaram a criar uma narração mais consistente. Ao invés de propor os fatos seguidamente, o filme começa pelo final. O baile terminou, muitas pessoas morreram e a polícia está tentando descobrir, através do testemunho dos sobreviventes, o que realmente aconteceu. Dessa maneira, ficou claro o que poderíamos esperar para o final, mas isso não quer dizer que não temos algumas surpresas no final.

Considero também a excelente atuação de Angela Bettis vivendo Carrie, soube mesmo a interpretar dignamente e expressar os sentimentos que a personagem vivenciava. Como não amar tanta peculiaridade? 

Uma das únicas cenas do filme em que Carrie parece realmente feliz é no baile.

Veja abaixo:


Carrie a Estranha (2002) é um telefilme feito para a rede norte-americana NBC, a princípio se pensou em uma série de TV, porém o projeto foi engavetado logo após o telefilme não atingir uma audiência satisfatória para a rede.

O filme então teve estreia no dia 4 de novembro de 2002, conquistando uma audiência de 12.2 milhões de pessoas, sendo que a rede NBC ficou atrás de suas principais concorrentes no horário. 

Como foi planejado como um piloto de uma série de TV, Carrie se mudaria para a Flórida para ajudar outras pessoas com problemas de telecinese, por isso o filme conta com um final diferente, então Carrie sobrevive e vai embora de sua cidade de origem, mesmo todos pensando que ela estivesse morta.

O final diferente:


Vale destacar também a trilha sonora do filme que é muito boa por sinal. As canções e o ritmo na medida certa.

Apesar dos defeitos estruturais e dos efeitos especiais a desejar, Carrie não é ruim. E dificilmente seria, com esse texto tão rico e interessante! Ainda assim, é sempre bom conferir as outras versões lançadas, principalmente a da década de 70. E pensar que mesmo depois de muitos anos, ainda se discute as consequências da violência nas escolas, a humilhação sofrida pelos alunos e a difícil aceitação do diferente.

E para encerrar, a música que toca no final do filme, ''Outside Looking In'' da banda Hypnogaja.


Apesar de ser senso comum, "Carrie, A Estranha", ao meu ver, não é um filme de terror, e sim um drama/suspense (mais jogado para o drama), porque o que vemos em Carrie, no quesito bullying dos colegas de turma poderia se passar com qualquer garota que enfrenta o ensino fundamental/médio. Mas Carrie tinha um problema a mais, foi criada de um jeito diferente, longe das pessoas, logo não sabia lidar com tudo que estava acontecendo.

Ressaltando que essa versão do consagrado livro Carrie, a Estranha do Stephen King é a minha versão favorita. E a sua, qual é?

Fico por aqui, até a próxima!

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