Interativo Nª 3: ENEM 2016

Ei! Em meio a polêmicas, confusões e até tentativas de suspensão... o temido final de semana do ENEM chegou! Cada ano mais exigente. O ENEM 2016 foi de um nível que pessoas que tem acesso ao ensino público não alcançam, exceto aqueles que buscam estudos além das salas de aulas. Agora se for estudantes de escolas particulares, cursinhos... aí você tem chance! Vamos lá para o que aconteceu esse ano.

Logo ENEM INEP/MEC

O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) traz questões bem complexas que necessitam de uma boa interpretação do enunciado e conhecimento sobre a maioria dos assuntos do ensino fundamental e ensino médio. Bom, vou colocar aqui questões que achei interessante na prova e assim como eu, alguns acharam moleza de responder. Porém, outros se enrolaram igual fio de telefone fixo (risos). 



Logo no 1º dia tivemos ótimas questões, que na base da interpretação conseguia fácil serem resolvidas.

1.



Em 1979 houve a revolução islâmica, em que os revoltosos tiraram o Rheza Pahlevi do poder, então a questão não era conflito trabalhista.  No lugar ficou um governo com caráter religioso.

A questão não fala em proteção à infância, nem da organização familiar. Assim eliminamos a e b.

O texto fala sobre a letra E: Transformação política e modificação de costumes.

Ta aí uma questão bem interessante. Para responder basta compreender o que se passa no quadrinho acima.

Mais uma questão que gostei bastante de responder e também porque foi muito fácil, né? hahaha

2. Participei de uma entrevista com o músico Renato Teixeira. Certa hora. alguém pediu para listar as diferenças entre a música sertaneja antiga e a atual. A resposta dele surpreendeu a todos: "Não há diferença alguma. A música caipira sempre foi a mesma. É uma música que espelha a vida do homem no campo, e a música não mente. O que mudou não foi a música, mas a vida no campo". Faz todo sentido: a música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo distanciamento do país "moderno". Exigir o mesmo de uma música feita hoje, num interior conectado, globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para o bem ou para o mal, a música reflete seu próprio tempo.

BARCINSKI, A. Mudou a música ou mudaram os caipiras? Folha de São Paulo, 4 jun, 2012 
(adaptado)


A questão cultural indicada no texto ressalta o seguinte aspecto socioeconômico do atual campo brasileiro

A) Crescimento do sistema de produção extensiva
B) Expansão de atividades das novas ruralidades
C) Persistência de relações de trabalho compulsório.
D) Contenção da politica de subsidios agricolas
E) Fortalecimento do modelo de organização Cooperativa

A solução para esta questão está na letra B, A música mudou da mesma forma que as atividades rurais mudaram.

3.  Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor - mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de de Sunidade.

BERMAN, M. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Cia, das Letras, 1986 (adaptado).

O texto apresenta uma interpretação da modernidade que a caracteriza como um(a)

A) dinâmica social contraditória.
B) interação coletiva harmônica.
C) fenômeno econômico estável.
D) sistema internacional decadente.
E) processo histórico homogeneizador.

Resposta logo na letra A.

4. Não estou mais pensando como costumava pensar. Percebo isso de modo mais acentuado quando estou lendo. Mergulhar num livro, ou num longo artigo, costumava ser fácil. Isso raramente ocorre atualmente. Agora minha atenção começa a divagar depois de duas ou três páginas. Creio que sei o que está acontecendo. Por mais de uma década venho passando mais tempo On-line, procurando e surfando e algumas vezes acrescentando informação à grande biblioteca da internet. A internet tem sido uma dádiva para um escritor como eu. Pesquisas que antes exigiam dias de procura em jornais ou na biblioteca agora podem ser feitas em minutos. Como disse o teórico da comunicação Marshall McLuhan nos anos 60, a mídia não é apenas um canal passivo para o tráfego de informação. Ela fornece a matéria, mas também molda o processo de pensamento. E o que a net parece fazer é pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação.

CARR, N. Is Google making us stupid'? Disponível em: www.theatlantic.com. Acesso em: 17 fev. 2013 (adaptado).

Em relação à internet, a perspectiva defendida pelo autor ressalta um paradoxo que se caracteriza por

A) associar uma experiência superficial à abundância de informações.
B) condicionar uma capacidade individual à desorganização da rede.
C) agregar uma tendência contemporânea à aceleração do tempo.
D) aproximar uma mídia inovadora à passividade da recepҫãо.
E) equiparar uma ferramenta digital à tecnologia analógica.


Solução: O texto fala que com a habitualidade na navegação online o autor passou a ter dificuldades de concentração. Ele mostra que há uma enorme gama de informações na internet, mas ao mesmo tempo, parece que ele não consegue lidar com a mesma, ao "pulverizar a capacidade de concentração e contemplação."

Assim, ele mostra a abundância de informações e sua relação com a superficialidade com que ela molda o pensamento e o raciocínio. Resposta letra A.

Super me identifiquei com a questão, me senti como o autor.

5.



A página do periódico do início do século XX documenta um importante elemento da cultura francesa, que é revelador do papel do Brasil na economia mundial, indicado no seguinte aspecto:

A) Prestador de serviços gerais
B) Exportador de bens industriais
C) Importador de padrões estéticos
D) Fornecedor de produtos agrícolas
E) Formador de padrões de consumo.


Solução: A foto mostra um café francês onde é servido o café brasileiro. Isso revela com facilidade que o Brasil exportou o bem agrícola e o modo de viver tomando café.

O enunciado pergunta sobre o papel do Brasil na economia mundial, por isso a resposta é com certeza a letra D.


Poderíamos ter dúvidas em relação à letra E, no entanto, a figura não mostra vários padrões de consumo exportados, mas sim apenas um, o café. Além disso, esse não é um papel na economia mundial. Muitas vezes precisamos ter muita atenção ao enunciado para resolver as questões.

6. A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma indissolúvel. Ela Vai além da constatação da ameaça física. Concebida para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem, conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de ninguém.

JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 (adaptado).

As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a)

A) pragmatismo da escolha individual.
B) sobrevivência de gerações futuras.
C) fortalecimento de políticas liberais.
D) valorização de múltiplas etnias.
E) promoção da inclusão social.

Mais uma boa questão! Só interpretação, consegui resolver assim, rs.

7. 



Posteriormente ressignificados no interior de certas irmandades e no contato com outra matriz religiosa, o Ícone e a prática mencionada no texto estiveram desde o século XVII relacionados a um esforço da Igreja Católica para

A) reduzir o poder das confrarias.
B) Cristianizar a população afro-brasileira.
C) espoliar recursos materiais dos cativos.
D) recrutar libertos para seu corpo eclesiástico.

E) atender a demanda popular por padroeiros locais.

Solução: A questão mostra o quanto a igreja quis influenciar a população afro-brasileira. A intenção da igreja era cristianizá-los, adaptá-los à realidade brasileira para que fossem "bons" e evitassem comportamentos não desejados na época como a fuga ou o desobedecimento, que gerariam prejuízos aos donos de escravos.

Essa é mais uma questão que mostra o papel da igreja na manutenção da escravização, através da cristianização da população afro-brasileira, através da adaptação dos santos para a realidade afro, além do ensino da história desses devotos com o intuito de incutir uma benevolência. Letra B.

8. 



O regime do Apartheid adotado de 1948 a 1994 na Africa do Sul fundamentava-se em ações estatais de segregacionismo racial. Na imagem, fuzileiros navais fazem valer a "lei do passe" que regulamentava o(a)

A) concentração fundiária, impedindo os negros de tomar posse legítima do uso da terra.
B) boicote econômico, proibindo os negros de consumir produtos ingleses sem resistência armada.
C) sincretismo religioso, vetando os ritos sagrados dos negros nas cerimônias oficiais do Estado.
D) controle sobre a movimentação, desautorizando os negros a transitar em determinadas áreas das cidades.
E) exclusão do mercado de trabalho, negando a população negra o acesso aos bens de consumo.

Solução: O Apartheid possuía um controle grande sobre a movimentação de negros nas cidades. Tudo era separado, os locais, os assentos em bancos de praça, os táxis, os banheiros. Além disso, o tráfego era controlado, o acesso a determinados lugares também. A foto mostra os fuzileiros checando o trânsito de uma pessoa negra de bicicleta.

Exemplos: 

Banheiro masculino separado: o de brancos e o de negros.



Taxi: Somente Pessoas Brancas



9.  

Ser ou não ser — eis a questão.

Morrer - dormir — Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!

Os sonhos que hão de vir no sono da morte

quando tivermos escapado ao tumulto vital

nos obrigam a hesitar: e é essa a reflexão

Que dá à desventura uma vida tão longa.

SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre, L&PM, 2007.

Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a tensão entre

A) consciência de si e angústia humana.
B) inevitabilidade do destino e incerteza moral.
C) tragicidade da personagem e ordem do mundo.
D) racionalidade argumentativa e loucura iminente.
E) dependência paterna e impossibilidade de ação.

Solução: Os monólogos de Hamlet, inclusive o  “Ser ou não ser”, no qual que ele conta à Rosencrantz e à Guildenstern o motivo de sua melancolia, a respeito das glorificações do homem, que apesar de tudo, para ele nada significam, são puramente questões existenciais.

Esse existencialismo iniciante tem com característica a consciência de si e geram uma angústia humana, típica do existencialismo. Letra A.

No segundo dia tiveram várias questões interessantes também, porém não vou estender este post. Vou partir logo pra a REDAÇÃO!

Pensando qual seria o tema da Redação

O tema da redação do Enem 2016 foi "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Foi divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) no início da tarde deste domingo (6).

O Inep usou seus perfis oficiais no Twitter e no Facebook para divulgar o tema da redação


Foi um tema bastante debatido, ele constava em várias listas de possíveis tema para a redação deste ano.

Muitos internautas elogiaram a escolha do tema e se arrependeram por ter não terem feito a prova.



A hashtag #ComeceARedaçãoCom, comentada desde o início do dia, explica o propósito logo abaixo: “Dicas de como NÃO começar uma redação!”. Diversos usuários entraram na brincadeira, com dicas sobre o que não escrever no texto da prova que vão desde tentar agradar a equipe do Enem com elogios, até desabafos pessoais para tentar comover os corretores.



São recorrentes na redação do Enem a abordagem de temas ligados aos direitos humanos. Os participantes tiveram que escrever, no ano passado, sobre a "persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira".

No Brasil, houve casos recentes de intolerância religiosa. No meio do ano passado, por exemplo, uma menina de 11 anos levou uma pedrada após sair de um culto de candomblé no Rio.

Um terreiro de umbanda na zona leste da capital paulista foi alvo de pedradas e xingamentos, também no meio do ano passado. Em Araraquara, interior de São Paulo, um terreiro de umbanda foi destruído em setembro deste ano. A polícia apura suposto crime de ódio.

A cada três dias, em média, uma denúncia de intolerância religiosa chega à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, de acordo com dados apurados entre 2011 e 2014 e divulgados em 2015.

Fiéis de religiões de matriz africana (candomblé e umbanda) são os alvos mais comuns dos relatos de intolerância recebidos pelo serviço -um terço dos episódios em que há esse detalhamento. Em seguida, aparecem casos de intolerância contra cristãos evangélicos.  - FOLHA DE SÃO PAULO - UOL.

Hora de colocar as ideias no papel


No começo tive um pouco de dificuldade em me concentrar para escrever. É um assunto delicado e e bastante polêmico, cada vez mais atual e que merece atenção.

Vivemos em um país com culturas e tradições distintas. A intolerância religiosa estabeleceu-se mais especificamente em nosso país desde o descobrimento, onde os europeus tentaram impor a sua religião aos nativos, e recriminando outras formas de religião. Tomado o Brasil como exemplo, podemos concluir que para que seja implantada uma cultura religiosa de paz, é necessário haver o entendimento de que cada indivíduo tem o seu direito de escolha, e por mais que essa escolha não nos agrade, é essencial para se viver em harmonia, que haja o respeito mútuo. Além disso, cada religião tem a sua importância, e deve ser mais valorizada e reconhecida por cada um de nós, como citado anteriormente, é preciso que cada um possua uma mente aberta para as diferenças, e aprender a conviver com elas. Feito isso, a intolerância religiosa perderia cada vez mais espaço, e a sociedade dimuinuiria significadamente o número de conflitos.

Gostei de escrever sobre o tema, embora agora refletindo vi que não falei e nem mencionei itens importantes na redação. Ficou um pouco genérica e superficial.

Em sumo, não fiz um bom Enem 2016. Muitas questões me ferraram demais, isso se deve pelo fato de não ter feito nenhum cursinho preparatório. Estava estudando apenas em casa sozinho, embora isso não seja desculpa para o fiasco.

O INEP divulgou hoje (9) o gabarito de todos os cadernos de questões, clique aqui.

Bom, agora só resta esperar o resultado geral disso tudo! Não estou esperando grandes coisas, afinal tenho consciência de que não fui bem. E você? Acha que mandou bem? Manda seu comentário aí!

Isso é tudo!
Interativo Nª 3: ENEM 2016 Interativo Nª 3: ENEM 2016 Reviewed by Walter Segundo on 18:41 Rating: 5

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