Livro: ''Quem tem medo de Ana Jansen?'' de Wilson Marques

Oi pessoal! Boa noite, nessa madrugada, lendo algumas coisas, resolvi escrever sobre algo do meu estado, Maranhão. Tem muito o que se falar, mas como gosto de histórias desse tipo, lendas... algo do gênero, fico na curiosidade e vou atrás de mais informações.

A história de Ana Jansen, quem mora em São Luis, com certeza já deve ter ouvido falar da lenda que circula por lá, que vai de geração em geração e que até hoje assombra pessoas nas noites de quinta para sexta.

Capa do livro "Quem tem medo de Ana Jansen" de Wilson Marques

Bom pessoal, essa história toda marcou minha infância, foi mais pelo livro mesmo que peguei na biblioteca precisamente no 4ª ano do ensino fundamental (2005), pois bem, eu li esse livro e gostei bastante e fiquei com medo também hahaha, era novo e histórias assim assustavam, mas eu curtia muito.

Nunca morei em São Luis, na verdade moro em Lago da Pedra (362,1 km de São Luis, segundo o Google), conheci através mesmo do livro acima, mas já perguntei para pessoas que vivem lá e de fato todos conhecem essa história.

Vamos lá...

Desconhecida da maioria dos brasileiros, Ana Jansen Pereira é uma importante figura da história maranhense.

Única fotografia de Ana Jansen


Nascida no século XVIII, Donanna Jansen, como era conhecida, não media esforços para atingir seus objetivos. Inteligente, voluntariosa, influente, destemida, cruel, mandona. Adjetivos não faltam para descrever a forte personalidade da mulher que continua "assombrando" as ruas de São Luis do Maranhão até os dias de hoje.

Ana viveu durante o reinado de D. Pedro II e marcou presença no cenário sócio-econômico da época. Nasceu rica, ficou na miséria e recuperou sua fortuna com obstinação, transformando-se em líder do Partido Liberal.

Casou-se duas vezes com homens poderosos (e ficou viúva duas vezes). Entretanto, nunca fez questão de esconder seus casos amorosos que lhe deram muitos filhos. Levava sua vida sem se importar com a opinião da sociedade local, o que não era um fato corriqueiro naquela época.

Foi uma importante comerciante e chegou a ter um exército particular que defendia seus interesses, formado por 400 escravos. Era dona de todos os comboios de distribuição de água da época e são conhecidas suas ações vingativas contra a Companhia de Distribuição de Águas, que se instalava na cidade, na época, para distribuir água em chafarizes. Documentos mostram que ela colocava gatos em putrefação, dentro dos chafarizes, com o objetivo de causar indignação na população, o que ainda permitiu que ela comandasse a distribuição de águas durante 15 anos.

Ana Jansen nunca hesitou em "acertar contas" com seus desafetos, sendo conhecida como uma adversária (ou seria inimiga?) implacável. Entretanto, suas maiores vítimas foram os escravos. Aquele que ousasse desobedecê-la tinha a morte garantida. Dizem que uma de suas escravas tinha dentes muito bonitos e um dia ousou sorrir para Donanna. Ela mandou arrancar (sem anestesia) todos os dentes da escrava que acabou morrendo de hemorragia e sendo jogada num poço localizado na fazenda. Nesse local, estudos posteriores mostraram, foram encontrados os cadáveres de mais de 100 escravos.

Carruagem/Ilustração


Tanta maldade fez com que uma das mais famosas lendas de São Luis do Maranhão continuasse viva quase 120 anos após sua morte. Segundo consta, após sua morte ela foi condenada a pagar por seus pecados e, nas noites de 5ª para 6ª feira, Ana Jansen deixa o cemitério do Gavião em sua carruagem encantada, puxada por cavalos sem-cabeça, e conduzida por um escravo (também decaptado) com o corpo todo ensanguentado. Aqueles que cruzam seu caminho recebem uma vela acesa das mãos de Ana que, no dia seguinte, se transforma num osso de defunto. Dizem que ao ouvir o barulho das ferragens e dos cascos pelas ruas, não existe quem não procure abrigo seguro evitando, assim, ser "agraciado" com o terrível presente.

Conta a lenda que por seu mau comportamento em vida, Ana Jansen teve um castigo em morte: foi condenada a vagar eternamente pelas ruas da cidade. Em noite de sexta-feira e de lua cheia, o fantasma da rica comerciante passeia com sua carruagem pelas ladeiras estreitas da Praia Grande, onde morava. O coche puxado por mulas sem cabeça que jorravam línguas de fogo e conduzida por um negro igualmente decapitado atravessa o centro histórico entre os rangidos dos parafusos, correntes que arrastam pelos paralelepípedos e gemidos dos escravos que tinham sido mortos pela dona.

Os desavisados que por ventura encontrarem o fantasma da Ana Jansen são obrigados a rezar uma oração pela alma da senhora e receber dela uma vela acessa, que no raiar do dia se transformará em osso humano descarnado. Verdade ou não, muita gente jura já ter visto a carruagem por aí.

Cemitério do Gavião


MORTE

Ana, 'a poderosa do Maranhão', morre devido a idade, aos 76 anos, e após esse fato, tem sua memória maculada pelos inimigos que a transformam em uma alma penada, em uma bruxa maldita que percorre as ruas de São Luís em uma carruagem puxada por cavalos e escravos mutilados, gritando de dor e desespero por se arrepender dos pecados que cometera. Até hoje em São Luís todos temem seu espírito e até parentes de Ana, como bisnetos e tataranetos, as pessoas evitam se aproximar por medo de uma "maldição familiar". Existem ruas com o nome dela e até uma lagoa em sua homenagem, por parte da prefeitura, pois a população não gosta dela por acreditarem nos fatos que por fim lhe deram a reputação de uma mulher cruel e assassina de crianças e escravos.

Se é verdade ou não, são histórias que o povo conta... ou seria uma estória mesmo (pelo menos na parte da lenda da carruagem)? Mas enfim, só resta ir nas noites de quinta para sexta e verificar você mesmo. Tem coragem? 

Isso é tudo! Até a próxima.

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